O LAGO DE CORUPUTUBA

A foto acima obtive em 1967 com a minha antiga Bieka. É o lago da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cadê corage?


“Caipira picando fumo” de José Ferraz de Almeida Júnior
(08/05/1850 – 13/11/1899)
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CADÊ CORAGE

(Bertha Celeste Homem de Mello)

Só pra mó de uma marvada
Que um dia vim conhecê
Num tenho mais alegria,
Só sei o que é padecê.
Eu queria desabafá,
Tudo, tudo, le dizê...
Mais quá, bobage, que jeito,
Cadê corage, cadê?

Às veiz eu vô pela estrada
E vejo ela aparecê.
Meu coração dá pinote,
Parece inté num sei que...
Eu finco meus zóio no chão,
Garro a tremê, tremê,
Quero oiá préla, num posso,
Cadê corage, cadê?

Ela passa, eu fico oiano
Inté ela desaparecê...
Intonce me dá vontade
De pela estrada corrê,
Arcançá ela e gritá:
“Zefa, eu gosto de vancê!”
mais porém fico parado...
Cadê corage, cadê?

No baile, toda catita,
Bunitinha como quê,
Ela dança e eu lá de longe
Espicho os zóio prá vê...
Meu Deus, dançá co a Zefa,
Que bão que havera de sê...
Mais tirá ela é que é o diacho:
Cadê corage, cadê?

Essa morena formosa
É tudo que eu quero tê...
Prá sê meu seu coração,
Pra seu amor merecê,
Fazia tudo na vida,
Era capaiz de morrê...
Mais porém nada num faço...
Cadê corage, cadê?

Memo assim vivo sonhano
De lá no mato fazê
Um ranchinho, uma paióça
Prum dia nóis dois vivê
(e tamém os cabocrinho
que havera de aparecê...)
depois magino: num dianta,
cadê corage, cadê?

Às veiz garro a meditá:
Vivê no mundo, prá quê?
Num seria mais mió
Tomá umas droga e morrê?
Num pensava mais na Zefa,
Cabava meus padecê..
Mais porém cadê corage,
Cadê corage, cadê?


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Este poema é de autoria de
Bertha Celeste Homem de Mello
Nasc. Pindamonhangaba, 21/03/1902
Fal. Jacareí, 16/08/1999
Poeta, farmacêutica e professora.
Além de poemas na linguagem simples do caipira, escreveu várias obras na melhor linguagem literária.
É a autora da letra em português da canção mais entoada no país: “PARABÉNS A VOCÊ”
É mais uma glória da cidade de Pindamonhangaba.